No ringue: nutrição X blogueiros fitness

Este é um post necessário. Vou abrir mão de saudar algum alimento em específico e vou filosofar sobre a nutrição. Sobre o real significado da palavra “nutrição”, o que é, como age, como deve ser interpretada, seus vários leques e sua ligação com a saúde. Hoje, no Globo Repórter (brincadeirinha).

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E vai ser uma nutrição que não tem nada a ver com os pratos da Bela Gil ou com a rotina fitness mesmo gravidíssima da Bella Falconi. Ambas são belíssimas sim, mas vou tentar desmistificar a ideia de que uma boa alimentação depende de você acordar comendo granola natural e comer uma barrinha de whey protein de lanche da tarde. Nada contra quem é adepto, mas o mundo é mais colorido lá fora (fora do Instagram).

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Antes de mais nada, nutrição está relacionada com o comportamento alimentar. Este processo são as “formas de convívio com o alimento […] constitui um conjunto de ações realizadas com relação ao alimento, que tem início com o momento de decisão, disponibilidade, modo de preparo, utensílios, horário e divisão da alimentação nas refeições do dia” (PHILIPPI, 1999). (Olha só que chiquérrimo eu seguindo as normas da ABNT e citando pensadores).

Depende de mais o quê? De fatores como religião, cultura, ciência, tecnologia e principalmente das relações sociais do indivíduo.

Posto isso na mesa, não dá pra formular um cardápio para uma pessoa de forma aleatória. Todos esses “estudos de campo” citados acima devem ser analisados. Por isso, coleguinha, pode ir tirando seu cavalinho da chuva se você acha que pode pedir para o nutri uma lista de alimentos para o dia-a-dia, obter um cardápio pronto em menos de três minutos e emagrecer em uma semana.

Nutrição não é a ciência do emagrecimento. Ou do corpo escultural. Ou das comidas integrais. Ou das dietas malucas, que, na verdade, não têm efeito algum, pelo menos a longo prazo. As dietas milagrosas que pregam a perda de 8 kg em um semana caem todas por terra. A não ser que você fique sete dias só tomando água.

Nutrição, minha gente, é conseguir se manter saudável a longo prazo e fornecer ao corpo o que ele precisa para viver bem. Estes são hábitos que devem acompanhar o ser humano SEMPRE e que levam em consideração muitos fatores além da alimentação em si.

A maneira como você come, se você senta, onde senta, com quem senta, sozinho, acompanhado, ambiente, barulho, calmo, amigável, pressa, calma. Todos esses fatores devem ser levados em consideração. E não é tão difícil abrir um espacinho na sua agenda corrida do dia para dedicar um pouco mais de atenção às suas refeições. O mais complicado é abrir sua mente e criar uma conduta que regre sua alimentação e não deixe você extrapolar. Trabalhar o psicológico é o passo mais difícil, ainda mais se levarmos em consideração aspectos culturais, socioeconômicos ou tradicionais.

Não sou favorável às dietas restritivas que colocam o paciente para comer uma fruta e uma torrada integral no café da manhã e uma salada no almoço. Claro, estou falando da população em geral e descartando casos médicos ou atletas, por exemplo.

Cada um é cada um. A dieta que funciona pra Ciclano pode não funcionar pra Beltrano. E aqui vale lembrar que a palavra “dieta” está sendo usada no sentido de hábito alimentar, indiferente se é para emagrecimento ou ganho de peso.

Tem corpo que gosta de acordar com uma tapioca de peito de peru, um mamão e um iogurte orgânico. Ótimo. Mas tem corpo que gosta de acordar com um pãozinho com manteiga, leite com café e uma maçã. Maravilha também. Isso não é questão de certo ou errado. Em nutrição, não é sob essa dicotomia que os alimentos devem ser observados. E sim o que eles fazem a partir do momento em que entram no seu organismo ou o que o seu corpo precisa para sobreviver.

Essa história de “seu corpo, seu templo”, “foco, força e fé” e madrugar pra correr no Ibira é maravilhosa. Isso se o praticante está feliz com ela. Mas não é regra básica para ter uma alimentação saudável e muito menos o “corpo ideal”. Por isso que eu uso a hashtag #semterrorismo em todas as postagens do Vício Saúde no Instagram. Porque é sem terrorismo mesmo. Ou pelo menos é assim que deveria ser.

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Se você quer cozinhar uma granola natural com aveia, quinoa, óleo de coco e semente de abóbora de vez em quando, a experiência vai ser ótima. Mas não precisa achar que comer a granola em saquinho, apesar de ser processada, vai ser responsável por um futuro câncer intestinal.

Ou ainda você pode incluir no seu cardápio arroz integral com lentilha, mas não precisa achar que o arroz branco com feijão (que pra mim é a melhor combinação DO MUNDO…que mané queijo com goiabada que nada!) não faz bem. Quem disse que arroz com feijão deve ser evitado? Se algum ser falou isso, eu preciso ter uma conversa seríssima com ele.

“Ah, mas eu prefiro trocar o feijão por outras leguminosas, como a lentilha e as ervilhas”. Parabéns, você fez uma boa escolha, mas nenhum é melhor que o outro aqui. Tem espaço pra todo mundo e todos devem ser contemplados.

Eu mesmo fiz um bolo de banana fitness esses dias (que até postei no blog), mas isso quer dizer que eu devo comer isso pra sempre? Claro que não, sou muito mais um bolo de banana “normal”, com farinha e leite, do que o integral, com aveia e açúcar orgânico.

E o frango com batata doce? É ótimo, principalmente se você gostar. Mas é necessário pra alcançar o corpo ideal em sete dias e sete noites? Não. Existe uma variedade de alimentos e eles não gostam de ser ignorados, pois ficam #chatiados.

Mais uma vez, saliento que estou me direcionando para a população em geral. O cara que vive do atletismo deve ter seu cardápio próprio e muito bem respeitado se quer continuar ganhando dinheiro com isso. Mas nem todos são atletas.

Mulheres, nem todas precisam se expor a dietas ridículas, que talvez tenham efeito a curto prazo, mas não a longo. Depois, o corpo volta ao ritmo original.

Por isso, mudar o conceito de que nutrição é emagrecer é necessário e urgente. Nutrição é você controlar sua alimentação para sempre e viver feliz com o corpo que te agrade, seja ele magrinho ou gordinho. Claro, não estou considerando casos de doenças cardíacas, hipertensão, obesidade, diabetes e tantas outras que exigem uma mudança de dieta mais drástica.

Não é relevante se você come pizza ou sorvete de vez em quando, o importante é não deixar de nutrir seu corpo com o que ele precisa de fato, que são legumes, verduras, frutas, carnes, grãos, leguminosas e por aí vai. Esse é o desafio da boa alimentação: equilibrar tudo o que é ingerido e não se proibir de comer uma macarronada nos fins de semana. Ou uma feijoada. Ou uma tigela de açaí. Ou um X-salada. Tá, parei.

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Chamo agora para o ringue quem pregar o contrário do que eu disse. Nesse contexto, o mundo das blogueiras fitness às vezes é perigoso. Nem sempre, mas às vezes. Muitas mulheres, por exemplo, veem os corpos esculturais e projetam o mesmo para si, sem necessidade. Saúde não está relacionada com o peso diretamente. Parece bobeira focar nisso, mas é um caso sério. Tem gente que adquire transtornos psicológicos por não conseguir aquele corpo escultural. E pior, quem tem esse corpo algumas vezes acha que ele é padrão. Padrão é ter uma sociedade saudável e não complexada. Ponto.

Abaixo a ditadura das blogueiras fitness!

Gente, não quero ter inimigos, mas quem se encaixa nas mentalidades absurdas e opressoras que eu descrevi acima precisa rever seus conceitos. Não estou criticando blogs que incentivam bons hábitos alimentares. Tanto que o meu blog é assim. Só critico quem acha que o mundo se trata de jantar rabanete todo dia e que, por conta de seus hábitos específicos, está no topo da cadeia alimentar. Só lamento.

E isso não acontece só com mulheres. Homens também estão ocupando um espaço perigoso na internet no que diz respeito a ditar regras nutricionais sem uma especialização para isso.

SEM TERRORISMO. O terrorismo afasta pessoas que têm interesse em se alimentar melhor, mas que acham que, pra isso, vão ter que mudar completamente seu hábito alimentar. E não é só assim que funciona. Blogueiros, vamos parar de assustar o mundo! E todo mundo, bora comer o bolinho de chuva da avó.

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